Mulheres no Samba: a nova batida de Niterói

Mulheres no Samba: a nova batida de Niterói

Mulheres no Samba: Nas esquinas de Santa Rosa, um novo compasso desponta. Um coro de vozes femininas se levanta para celebrar a cidade com ritmo, poesia e resistência.

Mulheres no Samba: a nova batida de Niterói

Artigo original - Samba Carioca 
.com.br - Todos os direitos reservados

6/11/2025 ::  redação Samba Carioca.com.br

A partir de 7 de novembro, o coletivo Mulheres no Samba de Niterói inaugura uma roda fixa no Bar do Alex, sempre às sextas-feiras, às 18h. A entrada é gratuita, e o convite é aberto — o samba se faz em comunidade, com vozes, batuques e corações em sintonia.

A proposta é simples e poderosa: valorizar o protagonismo feminino no samba, revelar novas intérpretes e abrir espaço para instrumentistas formadas em projetos sociais e culturais. isto é, como a Oficina das Minas, reconhecida por ampliar oportunidades e promover a equidade de gênero na música.

Alaíde Costa
Alaíde Costa

Nesse sentido, entre risos, tambores e acordes, nasce uma roda que é celebração e resistência. O público participa com contribuição voluntária, reforçando o sentido coletivo do encontro — um samba que se sustenta no afeto, na partilha e na fé na arte.

O terreiro delas: quando o tambor é feminino

A produtora cultural e pesquisadora Camille Siston defende que os espaços culturais — bares, rodas e projetos públicos — acolham o talento das mulheres que chegam com vigor e competência. “Quando os contratantes abrem as portas, eles alimentam a cadeia produtiva da cultura e inspiram novas gerações a ocuparem os palcos. É assim que o samba se renova.”

“Niterói sempre foi celeiro de músicos. Tivemos grandes nomes que fizeram história no samba. Mas faltavam referências femininas nas cordas e nos tambores. Isso agora começa a mudar”
– Camille Siston

A saber, autora de uma pesquisa sobre a invisibilidade da mulher no samba, fruto de sua dissertação de mestrado no Programa de Pós-Graduação em Cultura e Territorialidades (PPCULT/UFF, 2021), Camille vê nesta roda um gesto político: cada batida de pandeiro é também um manifesto.

Mulheres no Samba: a nova batida de Niterói
A Oficina das Minas tem como um de seus principais compromissos o combate à invisibilidade da mulher no samba, utilizando a arte como ferramenta de inclusão e transformação social.

Vozes, tambores e futuros

Enfim, o coletivo reúne instrumentistas e cantoras da cena niteroiense:
Bárbara Guimarães (violão, Samba Que Elas Querem), Martinha (voz, Sambariah), Clarice Maciel (pandeiro e conga, Batuque de Pife e Choro das Minas), Raquel Marques (pandeiro, Samba Trio), Jessyca Ugoline (voz e percussão, Samba Matilde), além de Thainã Viana, Flavia Freitas, Carol Menezes, Danieli Farias, Cindy Krauser e Fernanda de Paula — nomes que ecoam como promessas e certezas.

Mulheres no Samba: a nova batida de Niterói - 
A Oficina das Minas
A Oficina das Minas é um projeto cultural e social que promove aulas gratuitas de percussão, violão e cavaquinho exclusivamente para mulheres, com foco em inclusão, empoderamento feminino e acesso à cultura por meio da música

Em síntese, a roda inspira novas formações femininas, como a Roda Clandestina, liderada por Carolina Vergara, aluna de surdo e produtora executiva do grupo. O encontro entre gerações tece uma rede viva de aprendizado, afeto e ritmo. Ali, o samba se torna espelho e caminho — lugar de voz, de riso e de reinvenção.

Roda de Samba com Mulheres no Samba de Niterói – Nova Geração

📅 Estreia: 7 de novembro (sexta)
🔁 Periodicidade: semanal
Horário: 18h às 21h
📍 Local: Bar do Alex – Rua Dr. Paulo César, 297, Santa Rosa, Niterói
🎶 Entrada gratuita, com cachê colaborativo (ChaPix)