Wilson Moreira nasceu em 12 de dezembro de 1936 e foi criado no bairro de Realengo. Herdou de sua família a cultura musical. Seus pais e avós adoravam se divertir ao som de ritmos africanos como o jongo, caxambú e o calango. Sua mãe, como o seu pai, era grande defensora das tradições musicais africanas.
Aos 9 anos, perdeu o pai e teve de trabalhar para ajudar em casa, mesmo assim persistiu na escola. Foi então vendedor de amendoim, cocada, entregador de marmita, engraxate, guia de cego e mais tarde seria guarda de presídio, profissão que o acompanharia por cerca de 35 anos.
O samba era a sua grande paixão. Com 12 anos já observava atentamente o batuque das escolas de samba. Passou a compor e logo seria diretor de alas e um dos primeiros integrantes da escola de samba Mocidade Independente de Padre Miguel onde integrava a ala dos compositores e a bateria (começou oficialmente na Mocidade aos 15 anos). Tímido, foi preciso que o amigo sambista Paulo Brasão o encorajasse a mostrar suas músicas e a se apresentar publicamente. Seu primeiro samba-enredo, “Bahia”, parceria com Ivan Pereira, foi um sucesso. Outro famoso samba-enredo seu, “As Minas Gerais”, foi muito elogiado pelo mestre Ary Barroso.
Aos 29 anos gravou o seu primeiro compacto, passando a ser gravado por grandes intérpretes da MPB. Em 68 transferiu-se para a Portela onde encontraria grandes parceiros e amigos como Paulinho da Viola, Candeia, Natal e muitos outros, fazendo da escola sua bandeira.
Integrou também conjuntos como Cinco Só, Turma do Ganzá e Partido em Cinco. Grande partideiro, entre seus maiores sucessos estão “Mel e Mamão com Açúcar” e “Senhora Liberdade”, ambos de parceria com o sambista Nei Lopes. A parceria foi uma das mais bem sucedidas da história do samba, rendendo dois discos antológicos. O primeiro, “A Arte Negra de Wilson Moreira e Nei Lopes”, lançado em 80, contém clássicos como “Goiabada Cascão” e “Gostoso Veneno”. O segundo, “O Partido (Muito) Alto de Wilson Moreira e Nei Lopes”, de 1985, traz “Fidelidade Partidária” e “Eu Já Pedi”, entre muitos outros.(mais…)
Ainda é primavera e nesta edição do mês de novembro a Roda de Samba do Imperator, no dia 19, a proposta é deixar ainda mais florida a nossa noitada e fazer reverências às mulheres do samba.
Para esta roda de samba o projeto traz, a representatividade e importância da mulher no samba, com a já consagrada sambista Dorina e duas jovens e talentosas revelações do samba que são: Janaína Moreno e Renata Jambeiro. Além é claro da participação fundamental do Grupo Arruda, no comando da roda e conta em sua formação, com a voz feminina da talentosíssima Maria Menezes.
Mulheres do Samba – Roda de Samba do Imperator
O trio feminino preparou um repertório especial para esta edição, onde serão lembrados os sucessos das compositoras e cantoras como: D.Ivone Lara, Jovelina, Clementina, Clara Nunes, Beth Carvalho, Leci Brandão, Elza Soares, Marlene e uma singela homenagem à Vó Maria.
O projeto inovador tem como objetivo, além de levar grandes atrações para a casa de shows, é marcante, pois sempre apresentará um artista já consagrado pela mídia e público e jovens talentos do samba, para que tenham a possibilidade de maior visibilidade e auxiliar no impulsionamento de suas carreiras. A roda de samba é um marco para o Rio de Janeiro pela sua proposta de apresentar grandes nomes e novos talentos do samba, resgatando a essência boêmia do bairro Méier.
Mulheres do Samba: Conheça um pouco de cada artista.
Dorina: Sambista respeitada e com bagagem reconhecida no mundo samba, além de seu talento como cantora, ela também desenvolve com muita categoria o oficio de comunicadora e produtora. Recentemente esteve a frente do projeto Mulheres de Zeca e seu último trabalho fez uma grande homenagem ao saudoso e espetacular compositor, Luiz Carlos da Vila, com o CD “Dorina Samba de Luiz”. Ganhadora de vários prêmios com 8 CDs, 1 Dvd, participou Casa de Samba, Cidade do Samba, Sambabook de Martinho da Vila fez parte dos Suburbanistas , criou o Bloco Mulheres de Zeca que deu origem ao Musical de mesmo nome que fez uma temporada de sucesso em outubro do ano passado no Imperator.
Janaína Moreno: Mineira de Belo Horizonte, hoje se pode se dizer que a cantora, compositora, percussionista e atriz, não é so de Minas, ela é do Brasil. Filha de Oxum, puro dengo, pura doçura. Voz forte quando fala, voz intensa quando canta. Filha de Ogum, mulher guerreira, de uma linhagem de muitas mulheres de luta e talento nato dedicado à musica de qualidade e com carinho especial pelo Samba. Tem como referencia, Jacó do Bandolim, Sérgio Bitencourt, Elizete Cardoso, Paulo César Pinheiro, Jorge Ben Jor e Clara Nunes. Que estão presentes em seu trabalho de estreia, o CD Festeira.
Renata Jambeiro: A cantora e atriz, por onde passa é reconhecida como uma artista de grande performance, carisma e talento. Dona de uma belíssima voz, vem se destacando no cenário carioca do samba, por seu carinho e dedicação ao gênero. A cantora apresentou-se na África e aproveitou a oportunidade para realizar pesquisa musical relacionando à influência africana na cultura brasileira. Na busca pela ancestralidade representada pela tradição oral, pelos griôs (contadores de histórias), pelos pretos velhos e pelo sotaque de tambores, com aprofundamento nos elementos humanos, geradores da história da música popular brasileira. Renata está com seu novo projeto no “forno”, literalmente, o CD chamado “Fogaréu”, que está em fase de masterização e com lançamento previsto para novembro.
Grupo Arruda
Grupo Arruda: São 10 anos, completados em maio de 2015, de samba e amizade, pois o Arruda e seus componentes acreditam que o samba é muito mais que um estilo musical, é um estilo de vida, um jeito de viver. Tudo começou de maneira despretensiosa na famosa banca da tia Zezé, ao lado do viaduto da Mangueira, hoje se apresenta de maneira consistente em renomadas rodas de samba, como Renascença e Samba Luzia, além de conceituadas casas de show do porte da Lapa 40º, Imperator, Centro Cultural Carioca, Terreirão do Samba e outros redutos do samba. A intenção era apenas se divertir, relembrar os grandes mestres e sambas antigos da Estação Primeira. De lá para as melhores casas de shows e rodas de samba do Rio de Janeiro e São Paulo, são 10 anos fielmente dedicados ao mais brasileiro dos ritmos.
Roda de Samba do Imperator – Centro Cultural João Nogueira
Mulheres do Samba: 19 de novembro de 2015, das 20h às 00h
Imperator: rua Dias da Cruz, 170 – Méier.
Ingressos: R$30,00 (inteira) e R$15,00 (meia-entrada) Informações: (21) 2597-3897 | 2596-6523
O poeta, compositor, produtor e diretor cultural Mariozinho Lago e a tradicional casa de samba Trapiche Gamboa apresentam nas quartas-feiras 18 e 25 de novembro (a partir das 20h30) a estreia do espetáculo “SambaBuarquede Hollanda, a roda viva”, uma inédita homenagem ao considerado maior compositor brasileiro, o sambista Chico Buarque de Hollanda.
“SambaBuarquedeHollanda, a roda viva” é uma roda-show, cujo roteiro prioriza as obras das décadas de 1960/70/80, desde o primeiro LP gravado por Chico Buarque.(mais…)
João Batera e Banda agitam o Jângal no domingo com sua roda de samba, 22/11 a partir das 17h. A dica é chegar cedo pois a casa abre às 14h e logo enche.
Desfilando músicas próprias que têm feito a galera cantar junto, João, seu pandeiro e sua banda homenageiam artistas como Beth Carvalho e Fundo de Quintal passeando por Cartola e Noel de uma forma original e descontraída.(mais…)
História da Bossa nova: Bossa Nova é um movimento da música popular brasileira do final dos anos 50 lançado por João Gilberto, Tom Jobim, Vinícius de Moraes e jovens cantores e compositores de classe média da zona sul carioca, derivado do samba e com influência do jazz.
De início, o termo era apenas relativo a um novo modo de cantar e tocar samba naquela época, ou seja, a uma reformulação estética dentro do moderno samba carioca urbano. Com o passar dos anos, a Bossa Nova tornou-se um dos movimentos mais influentes da história da música popular brasileira, conhecido em todo o mundo. Um grande exemplo disso é a música Garota de Ipanema composta em 1962 por Vinícius de Moraes e Antônio Carlos Jobim. (mais…)
A paixão pela música e pelas manifestações populares que se desenvolvem nos mundos do Samba e do Jazz.
Confira abaixo o trailer do documentário Samba e Jazz (Brasil / 2015), dirigido por Jefferson Mello.
Documentário Samba e Jazz. Trailer
O documentário longa metragem “Samba e Jazz” evidencia a sinergia entre estes dois ritmos e as cidades do Rio de Janeiro e Nova Orleans (considerada o berço do jazz). O filme convida o espectador a viajar num cenário de belas paisagens e boa música, através de um século de história e costumes, expondo a similaridade dos aspectos musicais e comportamentais dos habitantes destas duas cidades.
A geografia os separa: um brasileiro, o outro americano. Os instrumentos musicais também são diferentes. Mas há algo mágico que une o samba e o jazz. E para mostrar essa semelhança, o olhar de quem entende do assunto. Mas com um diferencial: o sambista estará em Nova Orleans e o jazzista no Rio de Janeiro.
Não importa a distância, os dois tem algo em comum: a paixão pela música e pelas manifestações populares que se desenvolvem nos mundos do Samba e do Jazz.
Trailer do documentário Samba e Jazz (Brasil / 2015), dirigido por Jefferson Mello.
Primeiro ensaio técnico da União do Parque Curicica: Com 80% das fantasias prontas e suas alegorias entrando no processo de decoração, a União do Parque Curicica realiza na próxima terça-feira, dia 17 de Novembro , a partir das 21h, o primeiro ensaio técnico de rua.
A concentração acontece, às 19h30, em frente a quadra da escola que fica Rua Araua, 385, em Curicica – Jacarepaguá, zona oeste do Rio de Janeiro.
GRES União do Parque Curicica
Comandados pelo diretor de carnaval Jeferson Carlos, os componentes da azul, vermelho e branco treinam as situações que acontecem no desfile oficial, como o canto e a evolução das alas, que tem na direção de Harmonia o talentoso Paulo Santos, o entrosamento entre o carro de som, comandado pela voz marcante do intérprete Ronaldo Yllê , e a bateria Audaciosa Nota 10 sob a batuta de mestre Léo e o bailado incomparável do 1º Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira Matheus Olivério e Alessandra Chagas. (mais…)
Situado no berço do samba, na Gamboa, entre a Pedra do Sal, a Ladeira do Valongo e o Largo da Prainha, entre o centro da cidade e o bairro da Saúde, o Trapiche Gamboa é um grande sobrado do século XIX (1857) e foi inaugurado como casa de shows em 2004.
Trapiche Gamboa
A arquitetura de 1857 e com pé direito de 13 metros está conservada com piso original e parede de pedra revestida com óleo de baleia. Antes de abrigar a casa de samba, o sobrado era uma oficina mecânica.
Nestes onze anos, o Trapiche Gamboa tornou-se um refúgio para o samba de roda (uma das mais autênticas expressões da música brasileira) e se consagrou como uma das maiores, mais bonitas e aprazíveis casas (de samba) da cidade. Já foi cenário do programa “Samba na Gamboa” da TV Brasil, comandado pelo cantor Diogo Nogueira, e de outras produções televisivas. Importantes sambistas já passaram pelo salão e exímios músicos da nova safra do samba do Rio frequentemente realizam as magistrais rodas da casa.(mais…)
Dia 17 de novembro será o lançamento do terceiro CD e primeiro DVD de Leandro Fregonesi “ Vai Ter Fuzuê” no Teatro Rival Petrobras.
Parceria com o Canal Brasil e a Som Livre e que incluirá, também, um episódio de 01 hora de duração na TV, falando sobre sua carreira e mostrando suas músicas, na nova série que será lançada pelo Canal Brasil, para artistas novos, chamada “Tô Chegando” (será apresentado em 3 datas, já marcadas, em Novembro/15).
O DVD tem depoimentos de Maria Bethânia, Beth Carvalho, Monarco, Diogo Nogueira e outros. O CD tem participações de Beth Carvalho, Monarco, Tantinho da Mangueira, Reinaldo e Rixxa. (mais…)
O choro, popularmente chamado de chorinho, é um gênero de música popular e instrumental brasileira surgido no Rio de Janeiro em meados do século XIX. Conheça aqui os principais fatos da História do Choro.
Ochoro pode ser considerado como a primeira música urbana tipicamente brasileira e ao longo dos anos se transformou em um dos gêneros mais prestigiados da música popular nacional, reconhecido em excelência e requinte.
História do Choro: Introdução
Tem como origens estilísticas o lundu, ritmo de inspiração africana à base de percussão, com gêneros europeus. A composição instrumental dos primeiros grupos de choro era baseada na trinca flauta, violão e cavaquinho – a esse núcleo inicial do choro também se chamava pau e corda, por serem de ébano as flautas usadas, mas com o desenvolvimento do gênero, outros instrumentos de corda e sopro foram incorporados.
Ernesto Nazareth (1863-1934)
O choro é visto como o recurso do qual se utilizou o músico popular para executar, ao seu estilo, a música importada e consumida nos salões e bailes da alta sociedade do Império a partir da metade do século XIX.
Sob o impulso criador e improvisado dos chorões, logo a música resultante perdeu as características dos seus países originários e adquiriu feições genuinamente brasileiras.
A improvisação é condição básica do bom chorão, termo ao qual passou a ser conhecido ao músico integrante do choro, bem como requer uma alta virtuosidade de seus intérpretes, cuja técnica de composição não deve dispensar o uso de modulações imprevistas e armadas com o propósito de desafiar e a capacidade ou o senso polifônico dos acompanhantes. Além disso, admite uma grande variedade na composição instrumental de cada conjunto e comporta a participação de um grande número de participantes, sem prefixar seu número.
História do Choro: Origem
Chiquinha Gonzaga, em 1877 compôs “atraente”
Os primeiros conjuntos de choro surgiram por volta da década de 1870, nascidos nas biroscas do bairro Cidade Nova e nos quintais dos subúrbios cariocas. O flautista e compositor Joaquim Antônio da Silva Calado, os pianistas Ernesto Nazaré e Chiquinha Gonzaga, e o maestro Anacleto de Medeiros compuseram quadrilhas, polcas, tangos, maxixes, xotes e marchas, estabelecendo os pilares do choro e da música popular carioca da virada do século XIX para o século XX, que com a difusão de bandas de música e do rádio foi ganhando todo o território nacional. Herdeiro de toda essa tradição musical, Pixinguinha consolidou o choro como gênero musical, levando o virtuosismo na flauta e aperfeiçoando a linguagem do contraponto com seu saxofone e organizou inúmeros grupos musicais, tornando-se o maior compositor de choro.
Como ocorre com outros gêneros musicais, existem inúmeras discussões entre os pesquisadores sobre a gênese da palavra “choro”. Dentre as versões conhecidas, uma diz respeito que o termo surgiu de uma fusão entre “choro”, do verbo chorar, e “chorus”, que em latim significa “coro”. Para Lúcio Rangel e José Ramos Tinhorão, a expressão choro pode derivar da maneira chorosa de se tocar as músicas estrangeiras no final do século XIX e os que a apreciavam passaram a chamá-la de música de fazer chorar. Por extensão, próprio conjunto de choro passou a ser denominado pelo termo, por exemplo, “Choro do Calado”. Já Ari Vasconcelos vê a palavra choro seria uma corruptela de choromeleiros, corporações de músicos que tiveram atuação importante no período colonial brasileiro. Os choromeleiros não executavam apenas acharam ela, mas outros instrumentos de sopro. O termo passou a designar, popularmente qualquer conjunto instrumental. Câmara Cascudo arrisca que o termo pode também derivar de “xolo”, um tipo de baile que reunia os escravos das fazendas, expressão que, por confusão com a parônima portuguesa, passou a ser conhecida como “xoro” e finalmente, na cidade, a expressão começou a ser grafada com “ch”.
No princípio, a palavra designava o conjunto musical e as festas onde esses conjuntos se apresentavam, mas já na década de 1910 se usava o termo para denominar um gênero musical consolidado. Atualmente, o termo “choro” tanto pode ser usado nessa acepção como para nomear um repertório de músicas que inclui vários ritmos. A despeito de algumas opiniões depreciativas sobre a palavra “chorinho”, essa também se popularizou como referência ao gênero, designando um tipo de choro em duas partes, ligeiro, brejeiro, muito comunicativo.
Jacob do Bandolim, um grande virtuoso
Tido como a primeira música popular urbana típica do Brasil, a História do Choro está ligada com a chegada, em 1808, da Família Real portuguesa ao Brasil. Promulgada capital do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves em 1815, o Rio de Janeiro passou, então, por uma reforma urbana e cultural, quando foram criados cargos públicos. Com a corte portuguesa vieram instrumentos de origem européia como o piano, clarinete, violão, flauta, bandolim e cavaquinho, bem como seus instrumentistas. Com esses viajantes, chegou ao Brasil a música de dança de salão européia, como a valsa, a quadrilha, amazurca, a modinha, a schottish e principalmente a polca, que viraram moda nos bailes daquela época.
A reforma urbana, os instrumentos e as músicas estrangeiras, juntamente com a abolição do tráfico de escravos no Brasil em 1850, foram condições históricas para o surgimento do choro, já que possibilitou a emergência de novos ofícios para as camadas populares. Nesse contexto, tendo como origens estilísticas o lundu, ritmo de inspiração africana à base de percussão, com gêneros europeus, nasceu o choro no Rio de Janeiro, por volta de 1870. Esses grupos de instrumentistas populares, a quem se daria mais tarde o nome de chorões, eram oriundos de segmentos da classe média baixa da sociedade carioca, sendo em sua grande maioria modestos funcionários de repartições públicas – como da Alfândega, dos Correios e Telégrafos e da Estrada de Ferro Central do Brasil – cujo trabalho lhes permitiam uma boemia regular, e geralmente moradores da Cidade Nova. Sem muito compromisso e sem precisar tocar por dinheiro, essas pessoas passaram a formar conjuntos para tocar de “ouvido” essas músicas, que juntamente com alguns ritmos africanos já enraizados na cultura brasileira, como o batuque e o lundu, passaram a ser tocadas de maneira abrasileirada pelos músicos que foram então batizados de chorões. Inicialmente, se reuniam aos domingos nos chamados pagodes no fundo dos quintais dos subúrbios cariocas ou nas residências da Cidade Nova. Com isso, se tornaram os principais canais de divulgação do estilo para o povo. Um dos preceitos desses pagodes ou tocatas domingueiras era uma mesa farta em alimentos e bebidas.
As formações pioneiras adotavam como terno de instrumentos a flauta, o violão e o cavaquinho. A flauta como “solista”, o violão na “baixaria” e o cavaquinho como “centro”. Aos poucos, os chorões passaram a se apresentar constantemente em saraus da elite imperial, executando os gêneros europeus mais em voga imprimindo uma genuína cultura afro-carioca, sempre com improvisações e desafios entre os instrumentistas solistas e de acompanhamento, que foram consolidando o estilo.
História do Choro: Calado, o “pai” dos chorões
Joaquim Calado (1848-1880), um dos criadores do Choro.
As mais antigas referências a esses grupos de músicos mencionam o flautista Calado como o iniciador e organizador desses primeiros conjuntos. Como era professor da cadeira de flauta do Conservatório Imperial, Calado teve grande conhecimento musical e reuniu em torno de si os melhores músicos da época, que tocavam por simples prazer e descompromisso de fazer música. O conjunto instrumental “O Choro de Calado” costumava se reunir sem ideia prévia quanto a composição instrumental ou quanto ao número de figurantes de cada grupo. Foi também ele o pioneiro em grafar a palavra choro no local destinado ao gênero em uma de suas partituras – a da polca “Flor Amorosa” -, até então, os compositores se limitavam a indicar, como gênero, os ritmos tradicionais. A polca “Flor Amorosa”, composta por Calado em 1867 é considerada a primeira composição do gênero. Desse conjunto fez parte Viriato Figueira, seu aluno e amigo e também sua amiga, a maestrina Chiquinha Gonzaga, uma pioneira como a primeira chorona, compositora e pianista do gênero.
Em 1877, Chiquinha Gonzaga (mais em História das Marchinhas de Carnaval) compôs “Atraente”, e em 1897, “Gaúcho” ou “Corta-Jaca”, grandes contribuições ao repertório do gênero, entre outras composições, como “Lua Branca”. O choro era considerado apenas uma maneira mais sincopada (pela influência do lundu e do batuque) de se interpretar aquelas músicas, portanto recebeu fortes influências, porém aos poucos a música gerada sob o improviso dos chorões foi perdendo as características dos seus países de origem e os conjuntos de choro proliferaram na cidade, estendendo-se ao Brasil.
História do Choro: Século XX
A partir dos primeiros anos da República, há menção de outros conjuntos de chorões incorporando outros instrumentos de cordas, bem como a utilização de instrumentos de banda com a função de solistas ou concertante dentro dos grupos. Eram os casos do bandolim, da bandola, da bandurra, do bombardino, do bombardão, da clarineta, do flautim, do oficlide, do pistom, do saxofone e do trombone. Era a participação ocasional ou improvisada desses instrumentos que determinava a função de cada um no conjunto musical, que era determinada de acordo com a capacidade do executante, tanto se incumbindo do solo como do contracanto ou mesmo as duas coisas alternadamente. Constituídos de polcas, xotes, tangos e valsas, o repertório era assinado por autores brasileiros, em sua maioria, os próprios conjuntos. Essas primeiras composições de choro com características próprias foram compostas por Joaquim Calado, Chiquinha Gonzaga, Anacleto de Medeiros e Ernesto Nazareth, dentre outros.
Durante as primeiras décadas do século XX, as havaneiras, as polcas, os tangos, os xotes eram já designadas simplesmente como choros, termo que passou não apenas a denominar um gênero musical genuinamente popular e brasileiro, como também rotular a produção dos músicos chorões. Os conjuntos de choro foram muito requisitados nas gravações fonográficas que, no Brasil, tiveram início em 1902. O compositor Anacleto de Medeiros, regente da banca do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, foi um dos primeiros ao participar das primeiras gravações do gênero. Misturou a xote e a polca com as sonoridades brasileiras. Como grande orquestrador, adaptou a linguagem das rodas de choro para as bandas.
Patápio (1880-1907)
O virtuoso da flauta Patápio Silva, considerado o sucessor de Joaquim Calado, ficou famoso por ser o primeiro flautista a fazer um registro fonográfico. Autor de “Sons de Carrilhões”, o violonista João Pernambuco trouxe do sertão sua forma típica de canção e enriqueceu o gênero com elementos regionais, colaborando para que o violão deixasse de ser um mero acompanhante na música popular. Músico de trajetória erudita e ligado à escola européia de interpretação, Ernesto Nazareth compôs “Brejeiro” (1893), “Odeon” (1910) e “Apanhei-te Cavaquinho” (1914), que romperam a fronteira entre a música popular e a música erudita, sendo vitais para a formação da linguagem do gênero.
Em 1932, Carmen e Aurora Miranda (sentadas) e segurando a flauta, Pixinguinha.
Um dos maiores compositores da música popular brasileira, Pixinguinha contribuiu diretamente para que o choro encontrasse uma forma musical definitiva. Também tenor, arranjador, saxofonista e flautista, ele formou em 1919 o conjunto Oito Batutas, formado por Pixinguinha na flauta, João Pernambuco e Dongano violão, dentre outros músicos. Fez sucesso entre a elite carioca, tocando maxixes e outros choros. Quando compôs “Carinhoso”, entre 1916 e 1917 e “Lamentos” em 1928, que são considerados dois dos choros mais famosos, Pixinguinha foi criticado e essas composições foram consideradas como tendo uma inaceitável influência do jazz. Outras composições de Pixinguinha, entre centenas, são “Rosa”, “Vou vivendo”, “Lamentos”, “1 a 0”, “Naquele tempo” e “Sofres porque Queres”.
Na década de 1920, o maestro Heitor Villa-Lobos compôs uma série de 16 composições dedicadas ao Choro, mostrando a riqueza musical do gênero e fazendo-o presente na música erudita. A série é composta de 14 choros para diversas formações, um Choro Bis e uma Introdução aos Choros. Se a série tem o título “Choros”, individualmente o nome de cada composição vem sempre no singular. O Choro nº 1 foi composto para violão solo.
Existem também choros para conjuntos de câmara e orquestra. A peça Choro nº 13, de Heitor Villa-Lobos, foi composta para duas orquestras e banda. Já o Choro nº 14 é para orquestra, coro e banda. Uma das composição mais conhecida e executada dentre os choros orquestrais de Villa-Lobos é o Choro nº 10, para coro e orquestra, que inclui o tema “Rasga o Coração” de Catulo da Paixão Cearense. Devido à grande complexidade e à abrangência dos temas regionais utilizados pelo compositor, a série é considerada por muitos como uma das suas obras mais significativas.
Também a partir da década de 1920, impulsionado pelas gravadoras de discos e pelo advento do rádio, o choro fez sucesso nacional com o surgimento de músicos como Luperce Miranda e do pianista Zequinha de Abreu, autor de Tico-Tico no Fubá, além de grupos instrumentais que, por dedicar-se à música regional, foram chamados de regionais, como o Regional de Benedito Lacerda, que tiveram como integrantes Pixinguinha e Altamiro Carrilho, e Regional do Canhoto, que tiveram como integrantes Altamiro e Carlos Poyares.
Ocorreu uma revitalização do gênero na década de 1970. Em 1973, uniram-se o Conjunto Época de Ouro e Paulinho da Viola no show Sarau. Foram criados os Clubes do Choro em Brasília, Recife, Porto Alegre, Belo Horizonte, Goiânia e São Paulo, dentre outras cidades. Surgiram grupos jovens dedicados ao gênero, como Galo Preto e Os Carioquinhas. O novo público e o novo interesse pelo gênero propiciou também a redescoberta de veteranos chorões, como Altamiro Carrilho, Copinha e Abel Ferreira, além de revelar novos talentos, como os bandolinistas Joel Nascimento e Déo Rian e o violonista Rafael Rabello.
Grupo de chorinho na Feira do Largo da Ordem, Curitiba.foto: Marcus M. Bezerra
Festivais do gênero ocorreram no ano de 1977. A TV Bandeirantes de São Paulo promoveu duas edições do Festival Nacional do Choro e a Secretaria de Cultura do Rio de Janeiro promoveu o Concurso de Conjuntos de Choro.
Em 1979 com o LP “Clássicos em Choro”, o flautista Altamiro Carrilho fez sucesso tocando músicas eruditas em ritmo de choro. Também naquele ano, por ocasião do evento intitulado “Tributo a Jacob do Bandolim”, em homenagem aos dez anos do falecimento do bandolinista, é criado o grupo Camerata Carioca, formado por Radamés Gnatalli, Joel Nascimento e Raphael Rabello, dentre outros músicos.
A década de 1980 foi marcada por inúmeras oficinas e seminários de choro. Importantes instrumentistas se reuniram para discutir e ensinar o gênero às novas gerações. Em 1986, realizou-se o primeiro Seminário Brasileiro de Música Instrumental, em Ouro Preto, uma proposta ampla que ocasionou uma redescoberta do choro.
A partir de 1995 o gênero foi reforçado por grupos que se dedicaram à sua divulgação e modernização e pelo lançamento de CDs.
História do Choro: Século XXI
O choro entra no terceiro século da sua existência, com uma bagagem de mais de 130 anos, completamente firmado como um dos principais gêneros musicais do Brasil. São milhares de discos gravados e centenas de chorões que marcaram presença. O choro além de ser um gênero musical rico e complexo, é também um fenômeno artístico, histórico e social.
Em 4 de setembro de 2000, foi sancionada lei que criava o dia nacional do choro, a ser comemorado no dia 23 de abril, em homenagem ao nascimento de Pixinguinha. No Estado de São Paulo, existe o Dia Estadual do choro, comemorado no dia 28 de junho, dia em que nasceu Garoto, um dos principais expoentes paulistas do choro.
Link relacionado: • Casa do Choro – o ICC – Instituto Casa do Choro atua nas áreas de educação musical e preservação da História do Choro.