Categoria: Sambistas

  • Monarco

    Monarco

    Monarco: Hildmar Diniz, o Monarco, (Rio de Janeiro, 17 de Agosto de 1932), é um cantor e compositor brasileiro, discípulo de Paulo da Portela.

    Nasceu no bairro de Cavalcante, mas ainda criança foi morar em Nova Iguaçu. Aos 10 anos de idade mudou-se para Oswaldo Cruz, subúrbio do Rio e bairro de origem da Portela. Àquela época teve de perto contato com os sambistas da escola, integrando blocos e compondo sambas ainda pequeno. Também foi nessa época que surgiu o apelido, Monarco.  (foto: Raphael Mesquita)

    Monarco

    Em 1950 foi convidado a integrar a ala de compositores da Portela, onde mais tarde viria a se tornar líder da velha guarda. Também foi diretor de harmonia da escola. Nunca chegou a ganhar uma disputa de samba-enredo (o samba cantado durante o desfile da escola), mas conseguiu consagrar sambas “de terreiro” ou “sambas de quadra”, como são conhecidos aqueles executados nos ensaios e logo tornados emblemas do patrimônio cultural coletivo dessas associações. Um deles é “Passado de Glória”, que já foi “esquenta” (samba executado na área de concentração, pouco antes do desfile) da agremiação em diversos anos. Sua última disputa de samba-enredo foi em 2007, com seu filho Mauro Diniz e o presidente da Ala de Compositores da Portela, Júnior Scafura.

    Monarco
    Monarco – 26° Prêmio da Música Brasileira 2015, no Theatro Municipal (10/06/15) 

    Seu primeiro disco solo foi lançado em 1976, com temas como “O Quitandeiro” (com Paulo da Portela) e “Lenço” (com Francisco Santana). Em 1995, Monarco tem o CD A Voz do Samba lançado no Japão. No Brasil, foi editado pelo selo Kuarup.

    Em 1999 a cantora Marisa Monte convidou Monarco e a Velha Guarda da Portela para o CD Tudo Azul, de sua produção, que contou com participação de Paulinho da Viola e Zeca Pagodinho.

    De outra parte, entre os momentos de desalento vividos pelo grupo, conta-se aquele do desfile da escola de samba Portela em 2005, quando, após um atraso da seção de abertura do desfile, ou seja, a do carro-alegórico chamado Abre-Alas (onde funcionários da agremiação não conseguiram encaixar as asas da águia símbolo da escola a tempo do desfile), o último setor e o chamado “carro da agremiação” foram impedidos de desfilar, pelo receio de se ultrapassar o tempo regulamentar de desfile, com as consequentes penalizações que isso implicaria. Naquele setor era onde estavam exatamente os integrantes da Velha Guarda da Portela, entre eles Monarco, Tia Surica, Casquinha e outros nobres do samba.

    A Alma Roqueira de Noel

    Em 2008 foi lançado o documentário Mistério do Samba, dirigido pelos cineastas Lula Buarque de Hollanda e Carolina Jabor, e também produzido por Marisa Monte, que levara dez anos para ser concluído, e no qual Monarco participa oferecendo relatos de sua história de vida e seus testemunhos pessoais sobre a história do samba no Rio de Janeiro. Essa produção foi incluída na seleção oficial do Festival de Cannes.

    Monarco
    Monarco

    Em 2010, Monarco gravou seu primeiro DVD – “Monarco: A Memória do Samba” – no dia 28 de setembro, no Teatro Oi Casa Grande, Rio de Janeiro. Assim como o documentário “Mistério do Samba”, esse projeto se pretende como um registro para a história da tradição do samba. Desse DVD participam Zeca Pagodinho, Martinho da Vila, Paulinho da Viola, Velha Guarda da Portela e Família Diniz. A direção artística ficou a cargo de seu filho, Mauro Diniz. Beth Carvalho também participa do DVD.

    Apesar de não poder comparecer ao show por conta da recuperação de um cirurgia na coluna, Monarco e sua banda foram à sua casa para gravar, com a chamada “madrinha do samba”, a canção “Lenço”. A gravação foi exibida durante o show e está presente no DVD.  Esse produto faz parte de um projeto da ONG Oficina do Parque, voltado para a preservação da obra do bamba portelense, e traz consigo um CD ao vivo do mesmo show e um encarte impresso intitulado “Memórias de um Bamba”, com partituras, notas musicais e biográficas, curiosidades e anedotas vividas por Monarco.

    Em maio de 2011, o DVD foi lançado em um show para convidados no Teatro Rival Petrobrás, no centro do Rio de Janeiro. Lá, a ONG realizadora do projeto informou que, a princípio, o material (almanaque, CD e DVD) não estaria à venda, mas seria distribuído às bibliotecas públicas.

    Em 2013, Monarco foi articulador da vitória da chapa Portela Verdade, encabeçada por Serginho Procópio como presidente e Marcos Falcon, o vice, atuando politicamente contra o então ex-presidente da Portela (Nilo Figueiredo), e tornando-se então o presidente de honra da escola.

    Em 2015, seu álbum Passado de Glória – Monarco 80 anos foi premiado no 26º Prêmio da Música Brasileira na categoria Melhor Álbum de Samba.

    fonte: wikipedia.org/

  • Batatinha no Programa Ensaio

    Batatinha no Programa Ensaio

    Batatinha no Programa Ensaio (1995): O sambista Batatinha fala de sua vida desde os 10 anos de idade e conta como começou a compor. Ao relembrar sua história, traz de volta grandes nomes da MPB, lembrando sucessos de Lupicínio Rodrigues, Orlando Silva, Dorival Caymmi, Assis Valente, Pixinguinha e Ataulfo Alves.

    Batatinha no Programa Ensaio

    Recria também a velha Bahia, quando se recorda da rua dos Camepiros, onde morou, e do Centro Histórico da época dos bondes e vendedores de amendoim torradinho e acarajé.

    Partideiros 1978

    Batatinha no Programa Ensaio – biografia resumida

    Batatinha no Programa Ensaio
    a caixa de fósforos. Batatinha no Programa Ensaio (1995)

    Batatinha nasceu Oscar da Penha, em Salvador, no ano de 1924, em uma família bastante modesta.

    O gosto pela música surge logo cedo e como sua família não possuía um aparelho de rádio em casa, tinha por hábito ir até os lugares onde pudesse ser rádio-ouvinte, em especial no Café Glória, na Rua do Bispo. Foi lá, principalmente, que cresceu antenado com os programas do Rio de Janeiro, absorvendo os sucessos musicais da época, muito ligado aos bambas da década de 1930, em quem iria se inspirar para, poucos anos depois, também se arriscar como sambista.

    Participava de programas de calouro e num deles ganhou o apelido de Batatinha, como depois ficou nacionalmente conhecido. (mais…)

  • Henrique Cazes

    Henrique Cazes

    Henrique Cazes: Começou a tocar violão com seis anos de idade e gradativamente foi incorporando o cavaquinho, o bandolim, o violão tenor, o banjo, a viola caipira e a guitarra elétrica, sempre como autodidata.

    Henrique Cazes

    Henrique Cazes (Rio de Janeiro 1959) – biografia resumida

    Henrique Cazes
    Henrique Cazes

    Estreou profissionalmente em 1976 com o Conjunto Coisas Nossas, e em 1980 passou a integrar a Camerata Carioca, onde trabalhou em contato direto o bandolinista Joel Nascimento e o maestro Radamés Gnattali.

    Em 1988 Henrique iniciou sua carreira de solista de cavaquinho, com o lançamento do primeiro disco “Henrique Cazes”, simultaneamente ao método “Escola Moderna do Cavaquinho”, o mais utilizado livro didático do instrumento.

    Como solista lançou ainda outros discos como “Tocando Waldir Azevedo”, “Desde que o Choro é Choro”, “Pixinguinha de Bolso”, “Tudo é Choro” e “Vamos acabar com o baile”. Em 1998 publicou o livro “Choro, do Quintal ao Municipal”, em que resume a história de 150 anos de Choro e que se desdobrou em exposição homônima exibida no Rio e em várias outras capitais

    Documentário “Chorinhos & chorões” (1974)

    Fundou e dirige a Orquestra Pixinguinha, a Camerata Brasil e o Novo Quinteto. Concluiu em 2011 o Mestrado em etnomusicologia na Escola de Música da UFRJ, defendendo trabalho sobre rodas de choro. Na mesma instituição, é professor desde 2013, implantando o mundialmente pioneiro bacharelado em cavaquinho.

    Dicografia – Henrique Cazes

    • Vivaldi e Pixinguinha (com a Camerata Carioca), 1982, LP
    • Tocar (com a Camerata Carioca), 1983, LP
    • Henrique Cazes. Selo Musicazes, 1988, LP
    • Waldir Azevedo, Pixinguinha, Hermeto & cia, 1992, CD
    • Desde que choro é choro, 1995, CD
    • Relendo Waldir Azevedo, 1997, CD
    • Chorinho (var.), 2001, CD
    • Beatles’n’Choro, 2002, CD
    • EletroPixinguinha XXI, 2003, CD
    • Beatles’n’Choro (vol. 2), 2003, CD
    • Pixinguinha de Bolso, 2004, CD
    • Beatles’n’Choro (vol. 3), 2004, CD
    • Beatles’n’Choro (vol. 4), 2005, CD
  • Carmen Miranda

    Carmen Miranda

    Carmen Miranda: Maria do Carmo Miranda da Cunha, mais conhecida como Carmen Miranda, foi uma cantora e atriz luso-brasileira. Sua carreira artística transcorreu no Brasil e Estados Unidos entre as décadas de 1930 e 1950.

    Trabalhou no rádio, no teatro de revista, no cinema e na televisão. Foi considerada pela revista Rolling Stone como a 15ª maior voz da música brasileira. Um ícone e símbolo internacional do país no exterior.

    Carmen Miranda

    O primeiro grande sucesso veio com Ta-hí, de Joubert de Carvalho lançada em 1930 e que foi recorde de vendas, ultrapassando a marca de 36 mil cópias, a música alcançou uma popularidade tão grande que, em menos de seis meses, Carmen Miranda já era a cantora mais famosa do Brasil.

    Carmen Miranda
    Carmen Miranda

    No ano seguinte, ela fez sua primeira turnê internacional, já como uma artista renomada, quando foi para a Argentina com os cantores Francisco Alves, Mário Reis e com o bandolinista Luperce Miranda. Ela retornou à Argentina mais oito vezes, entre os anos de 1933 e 1938. Carmen Miranda tornou-se a primeira artista de rádio a assinar contrato com uma emissora, quando na época todos recebiam somente cachês. E seu sucesso na indústria fonográfica lhe garantiu um lugar nos primeiros filmes sonoros lançados na década de 1930. (mais…)

  • Nei Lopes do Salgueiro

    Nei Lopes do Salgueiro

    Biografia: Nei Lopes

    Nei Lopes é compositor, intérprete, escritor e estudioso das culturas africanas. Bacharel em Direito e Ciências Sociais, este carioca de 73 anos, tem vasta obra literária publicada sobre suas pesquisas. Ícone cultural e “enciclopédia viva do samba”, não esconde a paixão por sua escola de coração, a Acadêmicos do Salgueiro. 

    Nei Lopes

    Feijoada da Nei Lopes
    Nei Lopes. foto: Felipe Nébias

    Expoente da cultura e cenário musical, Nei Lopes entra para a seleta lista de homenageados pela Banda da Rua do Mercado, por sua contribuição intelectual e artística ao Brasil.

    Em 2001, participou do projeto musical “Ouro Negro”, em homenagem ao maestro Moacir Santos, escrevendo letras para cinco canções gravadas respectivamente por Gilberto Gil, Milton Nascimento, Djavan, João Bosco e Ed Motta. Em 2005, seu CD “Partido ao cubo” foi eleito o melhor disco de samba, no Prêmio da Música Brasileira.

    Também conferencista, em 2010, Nei Lopes apresentou na Academia Brasileira de Letras “O negro na literatura brasileira: autor e personagem”. No ano seguinte, palestrou na Bienal do Livro do Rio de Janeiro; performance repetida em 2012, na Tarrafa Literária, em Santos. Neste mesmo ano, também gravou depoimento sobre sua trajetória no Museu da Imagem e do Som. De escritor a personagem foi biografado na coleção “Retratos do Brasil Negro”, com a publicação escrita pelo jornalista Oswaldo Faustino. (mais…)

  • Alaíde Costa

    Alaíde Costa

    Nascida no Rio de Janeiro em 8 de dezembro de 1935, Alaíde Costa iniciou sua carreira profissional em 1955, como crooner, no Rio de Janeiro.

    Em 1959, levada por João Gilberto, conheceu os compositores da bossa nova, quando gravou seu primeiro LP. Participou do programa o Fino da Bossa (TV Record/SP), interpretando “Onde Está Você” (Oscar Castro Neves e Luverci Fiorini), canção que se tornou emblemática em sua carreira.

    Alaíde Costa – biografia

    Alaíde Costa
    Alaíde Costa

    Em 1965, lançou o LP Alaíde Costa e, em 1972, gravou em dueto com Milton Nascimento a faixa “Me Deixa em Paz” (Airton Amorim e Monsueto), incluída no LP Clube da Esquina. Em 1988, lançou Amiga de Verdade, com participação de Paulinho da Viola, Milton Nascimento, Ivan Lins e Egberto Gismonti; e em 1995, o CD Alaíde Costa & João Carlos Assis Brasil.

    Alaíde lançou, em 2000, o CD Falando de Amor, gravado em Paris, tendo no repertório as canções “Amor é Outra Liberdade” (Sueli Costa e Abel Silva) e “Tudo se Transformou” (Paulinho da Viola), além da faixa-título (Tom Jobim e Vinicius de Moraes). Em 2003, apresentou-se em Londres com Johnny Alf, no London Jazz Festival. Dois anos depois, lançou, no Theatro São Pedro (SP), o CD Tudo Que o Tempo me Deixou, produzido por Antônio Carlos Vidigal que marcou os seus 50 anos de carreira.

    No mesmo ano, foi contemplada com o Prêmio Rival Petrobras da Música como Melhor Cantora, e ainda participou, ao lado de Elza Soares e Jair Rodrigues, do show Brasil Brasileiro, apresentado em Paris e Toulouse no encerramento do Ano do Brasil na França. Em Agosto de 2006, retornou à Europa para apresentações do mesmo espetáculo na Espanha, Áustria, Alemanha e Inglaterra. (mais…)

  • Waldir 59 morre aos 87 anos no Rio

    Waldir 59 morre aos 87 anos no Rio

    Waldir 59, como o sambista era conhecido, foi vítima de parada cardiorrespiratória nessa madrugada (25/11/1015). Deixa quatro filhas, oito netos e muita saudade.

    Waldir 59 morre aos 87 anos no Rio

    Waldir era integrante da ala dos compositores da Portela desde a década de 1950 e da Velha Guarda da agremiação desde sua fundação, em 1970.

    Era considerado o sócio original mais antigo da escola de Madureira. (mais…)

  • Almir Guineto no Cassino do Chacrinha

    Almir Guineto no Cassino do Chacrinha

    Almir Guineto no Cassino do Chacrinha: em 1985 um dos mais famosos sambas do compositor: “Jibóia”. A qualidade do vídeo deixa a desejar, mas o registro é valioso!

    Almir Guineto no Cassino do Chacrinha (1985)

    Almir de Souza Serra (Rio de Janeiro, 12 de julho de 1946), mais conhecido como Almir Guineto, é um sambista e compositor brasileiro.

    Fundador do Fundo de Quintal, Guineto é um dos maiores representantes do samba. Entre seus principais sucessos, destacam-se “Caxambu”, “Conselho”, “Jibóia”, “Lama nas Ruas” e “Mel na Boca”.

    Nascido e criado no Morro do Salgueiro, na cidade do Rio de Janeiro, Almir Guineto teve contato direto com o samba desde a infância, já que havia vários músicos em sua família. Seu pai Iraci de Souza Serra era violonista e integrava o grupo Fina Flor do Samba; sua mãe Nair de Souza (mais conhecida como “Dona Fia”) era costureira e uma das principais figuras da Acadêmicos do Salgueiro; seu irmão Francisco de Souza Serra (mais conhecido como Chiquinho) foi um dos fundadores dos “Originais do Samba”.

    Na década de 1970, Almir já era mestre de bateria e um dos diretores da Salgueiro e fazia parte do grupo de compositores que freqüentavam o Bloco Carnavalesco Cacique de Ramos. Nessa época, Almir inovou o samba ao introduzir o banjo adaptado com um braço de cavaquinho. O instrumento híbrido foi adotado por vários grupos de samba.

    Em 1979, Almir mudou-se para a cidade de São Paulo para se tornar o cavaquinista dos Originais do Samba. Lá fez “Bebedeira do Zé”, sua primeira composição gravada pelo grupo, onde a voz do Sambista aparece puxa o verso “Mas dá um tempo na cachaça, Zé/ Para prolongar o seu viver” e a sambista Beth Carvalho gravou algumas composições de Guineto, como “Coisinha do Pai”, “Pedi ao Céu” e “Tem Nada Não”.

    No início dos anos oitenta, ele ajudou a fundar o grupo Fundo de Quintal junto com os sambistas Bira, Jorge Aragão, Neoci, Sereno, Sombrinha e Ubirany. Mas ele deixou o grupo logo após a gravação de “Samba é no Fundo de Quintal” – primeiro LP do conjunto – e seguiu para carreira solo. Almir conquistou fama com a premiação no Festival MPB-Shell, da Rede Globo, em 1981, em que interpretou o samba-partido “Mordomia” (de Ari do Cavaco e Gracinha).

    Almir Guineto
    Almir Guineto

    Sua notoriedade como compositor e intérprete aumentaria ao longo daquela década. Beth Carvalho gravou “É, Pois, É” (parceria com Luverci Ernesto e Luís Carlos) em 1981, “À Luta, Vai-Vai!” (com Luverci Ernesto) e “Não Quero Saber Mais Dela” (com Sombrinha) em 1984, “Da Melhor Qualidade” (com Arlindo Cruz), “Pedi ao Céu” (com Luverci Ernesto) e “Corda no Pescoço” (com Adalto Magalha) em 1987. Alcione gravou “Ave Coração” (parceria com Luverci Ernesto) em 1981 e “Almas & Corações” (com Luverci Ernesto) em 1983.Jovelina Pérola Negra gravou “Trama” (parceria com Adalto Magalha) em 1987.

    Em 1986, a gravadora RGE lançou o LP “Almir Guineto”, que teve grande sucesso comercial. Nesse disco, Almir Guineto gravou algumas de suas parcerias com Adalto Magalha, Beto Sem Braço, Guará da Empresa, Luverci Ernesto e Zeca Pagodinho. Entre os grandes destaques, estão “Caxambu”, “Mel na Boca”, “Lama nas Ruas” e “Conselho”.

    Ainda naquela década, a RGE lançou os LPs “Perfume de Champanhe” (1987) – que teve repercussão com “Batendo na Palma da Mão” (parceria com Guará da Empresa) – e “Jeito de Amar” (1989). Em 1991, a gravadora lançou o disco “De Bem Com a Vida”.

    Saiba mais na Página Oficial do artista.

  • Wilson Moreira

    Wilson Moreira

    Wilson Moreira: Perfil do sambista.

    Wilson Moreira: biografia

    Wilson Moreira nasceu em 12 de dezembro de 1936 e foi criado no bairro de Realengo. Herdou de sua família a cultura musical. Seus pais e avós adoravam se divertir ao som de ritmos africanos como o jongo, caxambú e o calango. Sua mãe, como o seu pai, era grande defensora das tradições musicais africanas.

    Aos 9 anos, perdeu o pai e teve de trabalhar para ajudar em casa, mesmo assim persistiu na escola. Foi então vendedor de amendoim, cocada, entregador de marmita, engraxate, guia de cego e mais tarde seria guarda de presídio, profissão que o acompanharia por cerca de 35 anos.

    Perfil Wilson MoreiraO samba era a sua grande paixão. Com 12 anos já observava atentamente o batuque das escolas de samba. Passou a compor e logo seria diretor de alas e um dos primeiros integrantes da escola de samba Mocidade Independente de Padre Miguel onde integrava a ala dos compositores e a bateria (começou oficialmente na Mocidade aos 15 anos). Tímido, foi preciso que o amigo sambista Paulo Brasão o encorajasse a mostrar suas músicas e a se apresentar publicamente. Seu primeiro samba-enredo, “Bahia”, parceria com Ivan Pereira, foi um sucesso. Outro famoso samba-enredo seu, “As Minas Gerais”, foi muito elogiado pelo mestre Ary Barroso.

    Aos 29 anos gravou o seu primeiro compacto, passando a ser gravado por grandes intérpretes da MPB. Em 68 transferiu-se para a Portela onde encontraria grandes parceiros e amigos como Paulinho da Viola, Candeia, Natal e muitos outros, fazendo da escola sua bandeira.

    Integrou também conjuntos como Cinco Só, Turma do Ganzá e Partido em Cinco. Grande partideiro, entre seus maiores sucessos estão “Mel e Mamão com Açúcar” e “Senhora Liberdade”, ambos de parceria com o sambista Nei Lopes. A parceria foi uma das mais bem sucedidas da história do samba, rendendo dois discos antológicos. O primeiro, “A Arte Negra de Wilson Moreira e Nei Lopes”, lançado em 80, contém clássicos como “Goiabada Cascão” e “Gostoso Veneno”. O segundo, “O Partido (Muito) Alto de Wilson Moreira e Nei Lopes”, de 1985, traz “Fidelidade Partidária” e “Eu Já Pedi”, entre muitos outros. (mais…)

  • Moacyr Luz

    Moacyr Luz

    * A entrevista abaixo foi feita em 24/10/2005.

    Quando pensei em quem seria o sambista ideal para iniciar o projeto Perfil do Sambista, logo me veio à mente o nome de Moacyr Luz, para melhor traduzir o espírito atual do Samba Carioca. Basta acompanhar uma roda por ele pilotada no Clube Renascença, em Vila Isabel, toda a segunda-feira, e entender a força que ela tem.

    perfil do sambista Moacyr Luz

    Moacyr é um dos mais atuantes sambistas e sobretudo um apaixonado pelo Rio de Janeiro e pela cultura carioca. Amante dos subúrbios, das esquinas e bares escondidos pela cidade. Um sujeito de grande simpatia e simplicidade.

    Moacyr Luz

    Não é à-toa que Moacyr Luz é considerado um dos grandes compositores da atualidade. Fez centenas de canções, muitas gravadas por ícones da nossa música como Maria Bethânia, Nana Caymmi, Gilberto Gil, Leila Pinheiro, Fafá de Belém, Fátima Guedes, Leny Andrade, Rosa Passos e muitos outros.

    Moacyr Luz: biografia

    Moacyr Luz em seu reduto: o Samba do Trabalhador / fotos: Ierê Ferreira
    Moacyr Luz em seu reduto: o Samba do Trabalhador. fotos: Ierê Ferreira

    Moacyr Luz Silva nasceu no Rio de Janeiro em 5 de abril de 1958. Passou a infância ouvindo o clarinete tocado pelo avô, músico da banda do corpo de bombeiros. Perdeu o pai aos 15 anos e costumava tocar violão para matar a saudade. Ainda jovem, se encantou com o samba, ao ouvir os primeiros acordes bem tocados de um violão. Percebeu que esse seria seu ofício. O violonista e guitarrista Hélio Delmiro, de quem sofreu grande influência, foi seu primeiro parceiro de cordas e sua principal influência no início de sua formação musical.

    Moacyr desejava apenas ser um bom instrumentista, mas aos poucos foi se percebendo também como compositor e cantor. Com Aldir Blanc, parceiro de longa data, ele divide a autoria de centenas de composições. Tudo começou em 84, com “A Tua Sombra”, faixa do disco de estréia, e seguiu com a música que virou hit de novela “Mico Preto” e muitas outras composições que já estão imortalizadas.
    – Moro no prédio do Aldir há 20 anos. Somos daqueles amigos que vão na casa do outro quando acaba o açúcar. Nossas músicas falam do cotidiano, são diferentes das que ele compôs com outros parceiros. Conseguimos criar uma identidade – diz Moacyr.

    Moacyr Luz em imagem do acervo da TV Brasil.
    Moacyr Luz: foto do acervo da TV Brasil.
    Moacyr Luz: São Jorge
    São Jorge, o santo de devoção

    Em 1988 lançou “Moacyr Luz”, seu disco de estréia que contava com a participação do virtuoso violonista Raphael Rabelo, além do sempre parceiro Blanc. Em 95 lançou “Vitória da ilusão”, no qual participaram as Pastoras da Portela, um quarteto de cordas e um grupo de percussão africana – Moacyr celebrava, assim, 10 anos de parceria com Blanc. “Mandingueiro” foi seu terceiro álbum. Lançado em 98, o disco, que trazia os mestres Nei Lopes e Paulo César Pinheiro, conquistou grandes elogios da crítica. Depois veio “Na Galeria”, em 2001, quando Moacyr interpreta bambas como Cartola, Noel Rosa e Paulinho da Viola, colhendo, mais uma vez, elogios da imprensa. Em seu quinto disco, “Samba da Cidade”, apresenta músicas gravadas com Wilson Moreira, Martinho da Vila, Paulo Cesar Pinheiro, Wilson das Neves, Nei Lopes e Luiz Carlos da Vila.

    Em 2005, veio “A Sedução Carioca do Poeta Brasileiro”, no qual transforma em música obras de poetas como Ferreira Gullar, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Vinicius de Moraes e Mário de Andrade, acompanhado do excelente sexteto de choro Água de Moringa. Segundo Moacyr, foram 10 anos construindo este CD de samba e choro, que passeia pelo lado lírico da Cidade Maravilhosa. No último disco solo, “Violão e Voz”, ele relê, no formato acústico, algumas de suas canções, somadas a clássicos imortais da música brasileira.

    Entre tantas pérolas, “Saudades da Guanabara”, parceria com Paulo César Pinheiro, é certamente uma de suas obras mais representativas, uma autêntica declaração de amor à cidade. Hoje Moacyr atua também como produtor e no currículo já traz os Cds de estréia de Casquinha e Guilherme de Brito, além do “Samba do Trabalhador – Renascença Samba Clube”, fruto de sua consagrada roda “Samba do Trabalhador”, uma ironia ao horário e dia ingratos em que é realizada (das 14 às 20 horas nas segunda-feiras).

    Moacyr Luz: Livro
    Moacyr Luz: Livro de 2005

    Luz assina a última faixa do disco, “Cabô”, de certo uma das melhores da coletânea que revelou músicos de alta qualidade como Abel Luiz (compositor e cavaquinista) e Wladimir Silva (violonista).

    Como se não bastasse, Moacyr acaba de lançar o livro “Manual de sobrevivência nos butiquins mais vagabundos”, pela editora SENAC RIO, com ilustrações do grande cartunista Jaguar, outro P.H.D. no assunto. As 25 deliciosas histórias são ambientadas no Rio de Janeiro e vêm acompanhadas de entrevistas com respeitáveis boêmios, abordando aspectos diferentes da cultura de botequim: a comida, o banheiro, a cerveja, o pendura, a mulher…

    Moacyr Luz: entrevista

    Confira aqui a entrevista com Moacyr Luz, feita no Clube Renascença em 24/10/2005, um dia nublado que prometia chuva – por isso a roda foi realizada na quadra do clube (o Samba do Trabalhador acontece mesmo se São Pedro não colabora).

    Samba Carioca: Quais as suas principais influências na música?
    Moacyr Luz: Ary Barroso é disparado o que tem mais influência sobre minhas músicas, pois estas são cravejadas de citações, mas também Nelson Cavaquinho, Cartola, Elton Medeiros, Noel entre tantos bambas.

    S.C.: E no cenário contemporâneo?
    M.L.: O grande mistério do samba é que não existe velho, ele está sempre se renovando.
    Tirando os “cascudos” (referência a Zeca Pagodinho e Paulinho da Viola), tenho grande admiração ao Luiz Carlos da Vila, Wanderley Monteiro, entre outros.

    S. C.: Entre suas composições, qual a favorita?
    M. L.: Posso dizer que dentre tantas, “Saudades da Guanabara” é uma das mais representativas. Também “Medalha de São Jorge” e “Coração do Agreste” (gravada por Fafá de Belém).

    S. C.: Quais as melhores composições de toda a história?
    M. L.:”Aquarela do Brasil” é a obra-prima de Ary Barroso e se confunde com o Hino Nacional. “Carinhoso”, de Pixinguinha, “O Bêbado e o Equilibrista”, de João Bosco e Aldir Blanc.

    S.C.: Qual o seu botequim favorito?
    M.L.: O caseiro. Que não seja muito sujo para se ter medo, nem muito limpo para parecer uma CTI. Gosto muito do “Paladino” e do “Bar Vanhargem”.

    S.C.: E o petisco?
    M.L.: Coisas para beliscar com a cachaça. Adoro jiló e camarão fresco.

    S.C.: Qual o seu local favorito para compor?
    M.L.: Sou um compositor diferente, gosto de compor sóbrio, sempre pela manhã, com meu violão de compor. Vejo as composições como algo espiritual, já estão na cabeça. A inspiração é fundamental para detonar esse processo.

    S.C.: Bebida alcoólica?
    M.L.: Cerveja e cachaça branca

    S.C.: Santo de devoção?
    M.L.: Meu São Jorge guerreiro.

    S.C.: Tem Hobby? Qual?
    M.L.: (risos) Gosto de cozinhar.

    S.C.: O que considera lixo musical?
    M.L.: Não gosto da arte comercial. Respeito a sinceridade, espiritualidade e boa intenção.
    Na roda não gosto do sujeito que chega cantando de qualquer jeito, um pandeirista que usa as platinelas muito soltas…

    S.C.: Qual o seu canto preferido no Rio de Janeiro?
    M.L.: O Centro da Cidade, muitas vezes tiro um dia para me embrenhar em algum canto por lá. Vou ao Morro da Conceição, como uma sardinha na rua Miguel Couto…

    S.C.: Qual o pior problema do Rio de Janeiro?
    M.L.: A violência. Pessoas que se julgam capazes de resolver os problemas e vão varrendo a sujeira para baixo do tapete.

    S.C.: O que está lendo?
    M.L.: Acabei de ler “Memória das minhas putas tristes”, de Gabriel Garcia Marques, e estou lendo o “Café Ponto Chique”, de Chico Freitas.

    S.C.: O que tem escutado em casa?
    M.L.: Nestes últimos dias quase nada, afinal mal tenho parado em casa, andei muito ocupado.

    S.C.: O que não pode faltar em sua casa?
    M.L.: Minha geladeira particular, sempre com cerveja e algo escondido, como siri e outros quitutes.

    S.C.: Existem muitos admiradores do seu jiló. A receita é segredo?
    M.L.: Não, até dei a receita para a Danuzia Bárbara. Em geral gosto dele fritinho, adicionando alguns igredientes como alho, cheiro-verde… (Moacyr me deu uma prova do jiló que fica na mesa dos sambistas, é realmente fantástico, e sou também um amante do fruto).

    S.C.: Como têm sido as últimas rodas aqui no Renascença?
    M.L.: Nas quatro últimas edições, tivemos em torno de 2.300 pessoas e, na semana passada, foram mais de mil pagantes.

    S.C.: O que acha do samba em São Paulo?
    M.L.: Tem um troço bacana em São Paulo, os paulistas sempre foram muito receptivos aos sambistas cariocas. Levavam o Nelson Cavaquinho pra Sampa na época das “vacas magras”.

    S.C.: Que conselho daria aos sambistas que estão começando?
    M.L.: Ouvir, ouvir muito e não acreditar que tudo é inspiração. Se o cara não tiver talento, não adianta.

    Moacyr Luz discografia

    Reportagem: Marco Pozzana
    Colaboração: Carolina Canegal