Os Chorões no Rio Scenarium: Para homenagear o mês do Choro e o aniversário de Pixinguinha, o Salão Anexo do Rio Scenarium recebe, a partir de 5 de abril, uma exposição fotográfica inédita sobre o tema. As imagens foram registradas pela fotógrafa Marília Figueirêdo e a curadoria é do músico Henrique Cazes, que comandará, na noite de inauguração, uma roda de choro com a participação especial de músicos que já se apresentaram na casa nos últimos anos.
Os Chorões no Rio Scenarium
Zé da Velha
Choro é uma palavra com grande gama de significados musicais. Um improviso, um jeito de tocar e sentir a música, um gênero musical, um encontro para compartilhar a paixão por essa tradição carioca de 150 anos… Tudo isso acontece ao se reunirem para tocar seus aficionados, os chorões, num discreto ritual de sons e olhares, que tanto pode acontecer num ambiente doméstico, num boteco ou num palco. O importante é que se leve para a cena o espírito de tocar ‘compartilhando’ ou, como diria o decano Zé da Velha, “tocar que nem garçom: servindo o outro”.
Traduzir esse ritual em imagens é um desafio e a fotógrafa Marília Figueirêdo usou sua intimidade com a música para registrar momentos especiais. Neta da pianista Aida Naccarati, pioneira em tocar para ginástica rítmica no Rio, Marília mais tarde estudou saxofone e participou na década de 1980 da lendária banda de reggae e ska “Kongo”. No entanto, o fato do tio ser fotógrafo de casamentos e o pai um amador que tinha laboratório em casa, fez com que sua curiosidade pela fotografia se desenvolvesse ainda na infância. Em 2005, Marília reencontrou, de uma só vez, suas duas paixões: música e fotografia. E, desde então, ela vem desenvolvendo ampla cobertura fotográfica do Choro, tanto em ambientes informais quanto nos palcos, acumulando precioso acervo.
Henrique Cazes
Presente no palco do Rio Scenarium desde a abertura da casa, em 1999, o Choro aprofundou sua ligação com o espaço no período entre 2004 e 2007, quando Henrique Cazes, um dos mais ativos chorões contemporâneos, atuou como diretor musical do espaço. “Os Chorões no Rio Scenarium” resume em 30 imagens a passagem dessa música pelo palco da casa na última década, reunindo diferentes gerações irmanadas na paixão pelo Choro.
A roda de choro de abertura contará com a presença de Joel Nascimento, Leo Gandelman, Silvério Pontes, Rogério Caetano, João Camarero, Beto Cazes, Alexandre Maionese e muitos outros nomes expressivos do choro carioca, sob o comando de Henrique Cazes.
Exposição “Os Chorões no Rio Scenarium”
De 5 a 30 de abril, no Salão Anexo do Rio Scenarium
Endereço: Rua do Lavradio, 20. Centro Antigo – Rio de Janeiro/RJ.
Horário de abertura da casa: Terça a quinta feira, 18h30; Sexta, 19h; Sábado e Domingo, 20h.
Ingressos: de terça a quinta, R$35; Sexta, R$45; Sábado, domingo, vésperas de feriados e datas especiais, R$50.
Filha de mineira com paraibano, a carioca de 57 anos começou a se interessar pela fotografia desde muito cedo. Por influência do pai – que era fotógrafo amador e tinha um laboratório de revelação improvisado no banheiro de casa – e também do tio, que era fotógrafo profissional, especializado em casamentos.
Em 1982, formou-se em Engenharia Química pela UFRJ e fez uma pós-graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho na PUC-Rio, área em que atua até hoje. Há cerca de dez anos, voltou a fotografar regularmente e, em 2006, iniciou cursos de aprimoramento de técnicas fotográficas.
Na última década, Marília construiu um acervo significativo. Devido à oportunidade de estar próxima ao ambiente da música, passou a registrar músicos em ação, principalmente chorões, seja em rodas informais ou em shows. Fotografou capas e encartes de CDs e DVDs, bem como fotos de cena e divulgação.
A relação da fotógrafa com a música também é antiga. A avó Aida Ribeiro Naccarati era pianista profissional, especializada em ginástica rítmica. Nos anos 1980, Marília tocou saxofone num grupo de reggae e ska chamado Kongo, experiência que contribuiu muito para que ela tivesse o olhar treinado para o momento certo do clique, captando a emoção dos músicos.
Músicos que figuram na exposição:
Henrique Cazes; Zé da Velha; Silvério Pontes; Beto Cazes; Marcello Gonçalves; João Camarero; Charlles da Costa; Omar Cavalheiro; Deo Rian; Joel Nascimento; Luis Barcelos; Ronaldo do Bandolim; Rafael Malmith; Rogério Caetano; Dirceu Leite; Silvério Pontes; Leo Gandelman; Leonardo Miranda; Dani Spielman; Alexandre Maionese
Henrique Cazes:Começou a tocar violão com seis anos de idade e gradativamente foi incorporando o cavaquinho, o bandolim, o violão tenor, o banjo, a viola caipira e a guitarra elétrica, sempre como autodidata.
Henrique Cazes
Henrique Cazes (Rio de Janeiro 1959) – biografia resumida
Henrique Cazes
Estreou profissionalmente em 1976 com o Conjunto Coisas Nossas, e em 1980 passou a integrar a Camerata Carioca, onde trabalhou em contato direto o bandolinista Joel Nascimento e o maestro Radamés Gnattali.
Em 1988 Henrique iniciou sua carreira de solista de cavaquinho, com o lançamento do primeiro disco “Henrique Cazes”, simultaneamente ao método “Escola Moderna do Cavaquinho”, o mais utilizado livro didático do instrumento.
Como solista lançou ainda outros discos como “Tocando Waldir Azevedo”, “Desde que o Choro é Choro”, “Pixinguinha de Bolso”, “Tudo é Choro” e “Vamos acabar com o baile”. Em 1998 publicou o livro “Choro, do Quintal ao Municipal”, em que resume a história de 150 anos de Choro e que se desdobrou em exposição homônima exibida no Rio e em várias outras capitais
Fundou e dirige a Orquestra Pixinguinha, a Camerata Brasil e o Novo Quinteto. Concluiu em 2011 o Mestrado em etnomusicologia na Escola de Música da UFRJ, defendendo trabalho sobre rodas de choro. Na mesma instituição, é professor desde 2013, implantando o mundialmente pioneiro bacharelado em cavaquinho.
Dicografia – Henrique Cazes
Vivaldi e Pixinguinha (com a Camerata Carioca), 1982, LP
Tocar (com a Camerata Carioca), 1983, LP
Henrique Cazes. Selo Musicazes, 1988, LP
Waldir Azevedo, Pixinguinha, Hermeto & cia, 1992, CD
20 anos de choro do Rabo de Lagartixa: Duas décadas se passaram desde que o Rabo de Lagartixa, partindo de uma formação bem rara – sax soprano, cavaquinho, violão de sete cordas e contrabaixo acústico – deu início à expansão das fronteiras do choro em diversas direções, reunindo gêneros que, de repente, não parecem mais tão distantes um do outro, como a música nordestina, a bossa nova instrumental dos anos 60, o experimentalismo, o samba rasgado e a música pop, amalgamados pelo sotaque do grupo.
20 anos de choro do Rabo de Lagartixa
Rabo de Lagartixa comemora 20 anos de carreira com show, dia 22, sexta, na Sala Cecília Meireles
20 anos de choro do Rabo de Lagartixa
E foi pensando nisso que o grupo decidiu comemorar seus vinte anos de existência lançando, ao longo de 2016, uma série de apresentações que começa, dia 20 em Porto Alegre, e dia 22, sexta, na Sala Cecília Meireles, no Rio de Janeiro. No show, uma seleção apurada dos dois discos de carreira, além de músicas ainda não gravadas, peças de um repertório tocado e retocado ao longo destes anos, que não perde a graça ou se torna clichê.
Espetáculo marca a abertura de uma serie de apresentações nacionais ao longo do ano
Neste show, o grupo contará com a participação de João Camareiro (violão de 7 cordas) no lugar de Marcello Gonçalves, única alteração na formação original, que conta ainda com Daniela Spielmann (sax soprano, tenor e flauta), Alexandre Brasil (contrabaixo acústico), Alessandro Valente (cavaquinho) e Beto Cazes (percussão).
No programa, “Quebra-Queixo” (Caio Cezar), “Paranoá” (Marco Pereira), “Alegre Menina” (Dori Caymmi), “220v” (Daniela Spielmann), “Pagode Jazz” (Edu Neves e Rodrigo Lessa), “Carrapato” (João Lyra), além de diversas peças de Villa-Lobos (“Brincadeira”, “Cançoneta”, “Cisne”, “Papagaio”, “Realejo”, “Águas Claras”, “Lenda do Caboclo”, “Melodia Sentimental” e “Bachianas Brasileiras n°1”). (mais…)
Messias Britto no Show do álbum Baianato: O espetáculo de Messias Britto apresenta repertório do seu primeiro álbum, Baianato, formado por composições que mesclam vertentes do choro, samba e das suas raízes nordestinas como ijexá, frevo, samba de roda e baião.
Messias Britto no Show do álbum Baianato
O Sesc Campo Limpo oferece uma noite com um grande nome do choro. Baiano de Euclides da Cunha, foi lá onde Messias Britto começou a relação com o cavaquinho aos 12 anos. Hoje, já é nome conhecido da música instrumental.
Se você mora em Sampa, anote na agenda: 31/01. Domingo, às 18h30h.
Durante o show sempre há o ‘diálogo’ entre os instrumentos, mas também acontece o momento em que Messias, sozinho no palco, desenvolve uma ‘conversa’ do cavaquinho com ele mesmo, fazendo harmonia, ritmo e melodia ao mesmo tempo.
Messias Britto no Show do álbum Baianato: O espetáculo é para todas as idades e a entrada é franca.
Poucos dias antes, outra atração imperdível (abaixo)
O choro, popularmente chamado de chorinho, é um gênero de música popular e instrumental brasileira surgido no Rio de Janeiro em meados do século XIX. Conheça aqui os principais fatos da História do Choro.
Ochoro pode ser considerado como a primeira música urbana tipicamente brasileira e ao longo dos anos se transformou em um dos gêneros mais prestigiados da música popular nacional, reconhecido em excelência e requinte.
História do Choro: Introdução
Tem como origens estilísticas o lundu, ritmo de inspiração africana à base de percussão, com gêneros europeus. A composição instrumental dos primeiros grupos de choro era baseada na trinca flauta, violão e cavaquinho – a esse núcleo inicial do choro também se chamava pau e corda, por serem de ébano as flautas usadas, mas com o desenvolvimento do gênero, outros instrumentos de corda e sopro foram incorporados.
Ernesto Nazareth (1863-1934)
O choro é visto como o recurso do qual se utilizou o músico popular para executar, ao seu estilo, a música importada e consumida nos salões e bailes da alta sociedade do Império a partir da metade do século XIX.
Sob o impulso criador e improvisado dos chorões, logo a música resultante perdeu as características dos seus países originários e adquiriu feições genuinamente brasileiras.
A improvisação é condição básica do bom chorão, termo ao qual passou a ser conhecido ao músico integrante do choro, bem como requer uma alta virtuosidade de seus intérpretes, cuja técnica de composição não deve dispensar o uso de modulações imprevistas e armadas com o propósito de desafiar e a capacidade ou o senso polifônico dos acompanhantes. Além disso, admite uma grande variedade na composição instrumental de cada conjunto e comporta a participação de um grande número de participantes, sem prefixar seu número.
História do Choro: Origem
Chiquinha Gonzaga, em 1877 compôs “atraente”
Os primeiros conjuntos de choro surgiram por volta da década de 1870, nascidos nas biroscas do bairro Cidade Nova e nos quintais dos subúrbios cariocas. O flautista e compositor Joaquim Antônio da Silva Calado, os pianistas Ernesto Nazaré e Chiquinha Gonzaga, e o maestro Anacleto de Medeiros compuseram quadrilhas, polcas, tangos, maxixes, xotes e marchas, estabelecendo os pilares do choro e da música popular carioca da virada do século XIX para o século XX, que com a difusão de bandas de música e do rádio foi ganhando todo o território nacional. Herdeiro de toda essa tradição musical, Pixinguinha consolidou o choro como gênero musical, levando o virtuosismo na flauta e aperfeiçoando a linguagem do contraponto com seu saxofone e organizou inúmeros grupos musicais, tornando-se o maior compositor de choro.
Como ocorre com outros gêneros musicais, existem inúmeras discussões entre os pesquisadores sobre a gênese da palavra “choro”. Dentre as versões conhecidas, uma diz respeito que o termo surgiu de uma fusão entre “choro”, do verbo chorar, e “chorus”, que em latim significa “coro”. Para Lúcio Rangel e José Ramos Tinhorão, a expressão choro pode derivar da maneira chorosa de se tocar as músicas estrangeiras no final do século XIX e os que a apreciavam passaram a chamá-la de música de fazer chorar. Por extensão, próprio conjunto de choro passou a ser denominado pelo termo, por exemplo, “Choro do Calado”. Já Ari Vasconcelos vê a palavra choro seria uma corruptela de choromeleiros, corporações de músicos que tiveram atuação importante no período colonial brasileiro. Os choromeleiros não executavam apenas acharam ela, mas outros instrumentos de sopro. O termo passou a designar, popularmente qualquer conjunto instrumental. Câmara Cascudo arrisca que o termo pode também derivar de “xolo”, um tipo de baile que reunia os escravos das fazendas, expressão que, por confusão com a parônima portuguesa, passou a ser conhecida como “xoro” e finalmente, na cidade, a expressão começou a ser grafada com “ch”.
No princípio, a palavra designava o conjunto musical e as festas onde esses conjuntos se apresentavam, mas já na década de 1910 se usava o termo para denominar um gênero musical consolidado. Atualmente, o termo “choro” tanto pode ser usado nessa acepção como para nomear um repertório de músicas que inclui vários ritmos. A despeito de algumas opiniões depreciativas sobre a palavra “chorinho”, essa também se popularizou como referência ao gênero, designando um tipo de choro em duas partes, ligeiro, brejeiro, muito comunicativo.
Jacob do Bandolim, um grande virtuoso
Tido como a primeira música popular urbana típica do Brasil, a História do Choro está ligada com a chegada, em 1808, da Família Real portuguesa ao Brasil. Promulgada capital do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves em 1815, o Rio de Janeiro passou, então, por uma reforma urbana e cultural, quando foram criados cargos públicos. Com a corte portuguesa vieram instrumentos de origem européia como o piano, clarinete, violão, flauta, bandolim e cavaquinho, bem como seus instrumentistas. Com esses viajantes, chegou ao Brasil a música de dança de salão européia, como a valsa, a quadrilha, amazurca, a modinha, a schottish e principalmente a polca, que viraram moda nos bailes daquela época.
A reforma urbana, os instrumentos e as músicas estrangeiras, juntamente com a abolição do tráfico de escravos no Brasil em 1850, foram condições históricas para o surgimento do choro, já que possibilitou a emergência de novos ofícios para as camadas populares. Nesse contexto, tendo como origens estilísticas o lundu, ritmo de inspiração africana à base de percussão, com gêneros europeus, nasceu o choro no Rio de Janeiro, por volta de 1870. Esses grupos de instrumentistas populares, a quem se daria mais tarde o nome de chorões, eram oriundos de segmentos da classe média baixa da sociedade carioca, sendo em sua grande maioria modestos funcionários de repartições públicas – como da Alfândega, dos Correios e Telégrafos e da Estrada de Ferro Central do Brasil – cujo trabalho lhes permitiam uma boemia regular, e geralmente moradores da Cidade Nova. Sem muito compromisso e sem precisar tocar por dinheiro, essas pessoas passaram a formar conjuntos para tocar de “ouvido” essas músicas, que juntamente com alguns ritmos africanos já enraizados na cultura brasileira, como o batuque e o lundu, passaram a ser tocadas de maneira abrasileirada pelos músicos que foram então batizados de chorões. Inicialmente, se reuniam aos domingos nos chamados pagodes no fundo dos quintais dos subúrbios cariocas ou nas residências da Cidade Nova. Com isso, se tornaram os principais canais de divulgação do estilo para o povo. Um dos preceitos desses pagodes ou tocatas domingueiras era uma mesa farta em alimentos e bebidas.
As formações pioneiras adotavam como terno de instrumentos a flauta, o violão e o cavaquinho. A flauta como “solista”, o violão na “baixaria” e o cavaquinho como “centro”. Aos poucos, os chorões passaram a se apresentar constantemente em saraus da elite imperial, executando os gêneros europeus mais em voga imprimindo uma genuína cultura afro-carioca, sempre com improvisações e desafios entre os instrumentistas solistas e de acompanhamento, que foram consolidando o estilo.
História do Choro: Calado, o “pai” dos chorões
Joaquim Calado (1848-1880), um dos criadores do Choro.
As mais antigas referências a esses grupos de músicos mencionam o flautista Calado como o iniciador e organizador desses primeiros conjuntos. Como era professor da cadeira de flauta do Conservatório Imperial, Calado teve grande conhecimento musical e reuniu em torno de si os melhores músicos da época, que tocavam por simples prazer e descompromisso de fazer música. O conjunto instrumental “O Choro de Calado” costumava se reunir sem ideia prévia quanto a composição instrumental ou quanto ao número de figurantes de cada grupo. Foi também ele o pioneiro em grafar a palavra choro no local destinado ao gênero em uma de suas partituras – a da polca “Flor Amorosa” -, até então, os compositores se limitavam a indicar, como gênero, os ritmos tradicionais. A polca “Flor Amorosa”, composta por Calado em 1867 é considerada a primeira composição do gênero. Desse conjunto fez parte Viriato Figueira, seu aluno e amigo e também sua amiga, a maestrina Chiquinha Gonzaga, uma pioneira como a primeira chorona, compositora e pianista do gênero.
Em 1877, Chiquinha Gonzaga (mais em História das Marchinhas de Carnaval) compôs “Atraente”, e em 1897, “Gaúcho” ou “Corta-Jaca”, grandes contribuições ao repertório do gênero, entre outras composições, como “Lua Branca”. O choro era considerado apenas uma maneira mais sincopada (pela influência do lundu e do batuque) de se interpretar aquelas músicas, portanto recebeu fortes influências, porém aos poucos a música gerada sob o improviso dos chorões foi perdendo as características dos seus países de origem e os conjuntos de choro proliferaram na cidade, estendendo-se ao Brasil.
História do Choro: Século XX
A partir dos primeiros anos da República, há menção de outros conjuntos de chorões incorporando outros instrumentos de cordas, bem como a utilização de instrumentos de banda com a função de solistas ou concertante dentro dos grupos. Eram os casos do bandolim, da bandola, da bandurra, do bombardino, do bombardão, da clarineta, do flautim, do oficlide, do pistom, do saxofone e do trombone. Era a participação ocasional ou improvisada desses instrumentos que determinava a função de cada um no conjunto musical, que era determinada de acordo com a capacidade do executante, tanto se incumbindo do solo como do contracanto ou mesmo as duas coisas alternadamente. Constituídos de polcas, xotes, tangos e valsas, o repertório era assinado por autores brasileiros, em sua maioria, os próprios conjuntos. Essas primeiras composições de choro com características próprias foram compostas por Joaquim Calado, Chiquinha Gonzaga, Anacleto de Medeiros e Ernesto Nazareth, dentre outros.
Durante as primeiras décadas do século XX, as havaneiras, as polcas, os tangos, os xotes eram já designadas simplesmente como choros, termo que passou não apenas a denominar um gênero musical genuinamente popular e brasileiro, como também rotular a produção dos músicos chorões. Os conjuntos de choro foram muito requisitados nas gravações fonográficas que, no Brasil, tiveram início em 1902. O compositor Anacleto de Medeiros, regente da banca do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, foi um dos primeiros ao participar das primeiras gravações do gênero. Misturou a xote e a polca com as sonoridades brasileiras. Como grande orquestrador, adaptou a linguagem das rodas de choro para as bandas.
Patápio (1880-1907)
O virtuoso da flauta Patápio Silva, considerado o sucessor de Joaquim Calado, ficou famoso por ser o primeiro flautista a fazer um registro fonográfico. Autor de “Sons de Carrilhões”, o violonista João Pernambuco trouxe do sertão sua forma típica de canção e enriqueceu o gênero com elementos regionais, colaborando para que o violão deixasse de ser um mero acompanhante na música popular. Músico de trajetória erudita e ligado à escola européia de interpretação, Ernesto Nazareth compôs “Brejeiro” (1893), “Odeon” (1910) e “Apanhei-te Cavaquinho” (1914), que romperam a fronteira entre a música popular e a música erudita, sendo vitais para a formação da linguagem do gênero.
Em 1932, Carmen e Aurora Miranda (sentadas) e segurando a flauta, Pixinguinha.
Um dos maiores compositores da música popular brasileira, Pixinguinha contribuiu diretamente para que o choro encontrasse uma forma musical definitiva. Também tenor, arranjador, saxofonista e flautista, ele formou em 1919 o conjunto Oito Batutas, formado por Pixinguinha na flauta, João Pernambuco e Dongano violão, dentre outros músicos. Fez sucesso entre a elite carioca, tocando maxixes e outros choros. Quando compôs “Carinhoso”, entre 1916 e 1917 e “Lamentos” em 1928, que são considerados dois dos choros mais famosos, Pixinguinha foi criticado e essas composições foram consideradas como tendo uma inaceitável influência do jazz. Outras composições de Pixinguinha, entre centenas, são “Rosa”, “Vou vivendo”, “Lamentos”, “1 a 0”, “Naquele tempo” e “Sofres porque Queres”.
Na década de 1920, o maestro Heitor Villa-Lobos compôs uma série de 16 composições dedicadas ao Choro, mostrando a riqueza musical do gênero e fazendo-o presente na música erudita. A série é composta de 14 choros para diversas formações, um Choro Bis e uma Introdução aos Choros. Se a série tem o título “Choros”, individualmente o nome de cada composição vem sempre no singular. O Choro nº 1 foi composto para violão solo.
Existem também choros para conjuntos de câmara e orquestra. A peça Choro nº 13, de Heitor Villa-Lobos, foi composta para duas orquestras e banda. Já o Choro nº 14 é para orquestra, coro e banda. Uma das composição mais conhecida e executada dentre os choros orquestrais de Villa-Lobos é o Choro nº 10, para coro e orquestra, que inclui o tema “Rasga o Coração” de Catulo da Paixão Cearense. Devido à grande complexidade e à abrangência dos temas regionais utilizados pelo compositor, a série é considerada por muitos como uma das suas obras mais significativas.
Também a partir da década de 1920, impulsionado pelas gravadoras de discos e pelo advento do rádio, o choro fez sucesso nacional com o surgimento de músicos como Luperce Miranda e do pianista Zequinha de Abreu, autor de Tico-Tico no Fubá, além de grupos instrumentais que, por dedicar-se à música regional, foram chamados de regionais, como o Regional de Benedito Lacerda, que tiveram como integrantes Pixinguinha e Altamiro Carrilho, e Regional do Canhoto, que tiveram como integrantes Altamiro e Carlos Poyares.
Ocorreu uma revitalização do gênero na década de 1970. Em 1973, uniram-se o Conjunto Época de Ouro e Paulinho da Viola no show Sarau. Foram criados os Clubes do Choro em Brasília, Recife, Porto Alegre, Belo Horizonte, Goiânia e São Paulo, dentre outras cidades. Surgiram grupos jovens dedicados ao gênero, como Galo Preto e Os Carioquinhas. O novo público e o novo interesse pelo gênero propiciou também a redescoberta de veteranos chorões, como Altamiro Carrilho, Copinha e Abel Ferreira, além de revelar novos talentos, como os bandolinistas Joel Nascimento e Déo Rian e o violonista Rafael Rabello.
Grupo de chorinho na Feira do Largo da Ordem, Curitiba.foto: Marcus M. Bezerra
Festivais do gênero ocorreram no ano de 1977. A TV Bandeirantes de São Paulo promoveu duas edições do Festival Nacional do Choro e a Secretaria de Cultura do Rio de Janeiro promoveu o Concurso de Conjuntos de Choro.
Em 1979 com o LP “Clássicos em Choro”, o flautista Altamiro Carrilho fez sucesso tocando músicas eruditas em ritmo de choro. Também naquele ano, por ocasião do evento intitulado “Tributo a Jacob do Bandolim”, em homenagem aos dez anos do falecimento do bandolinista, é criado o grupo Camerata Carioca, formado por Radamés Gnatalli, Joel Nascimento e Raphael Rabello, dentre outros músicos.
A década de 1980 foi marcada por inúmeras oficinas e seminários de choro. Importantes instrumentistas se reuniram para discutir e ensinar o gênero às novas gerações. Em 1986, realizou-se o primeiro Seminário Brasileiro de Música Instrumental, em Ouro Preto, uma proposta ampla que ocasionou uma redescoberta do choro.
A partir de 1995 o gênero foi reforçado por grupos que se dedicaram à sua divulgação e modernização e pelo lançamento de CDs.
História do Choro: Século XXI
O choro entra no terceiro século da sua existência, com uma bagagem de mais de 130 anos, completamente firmado como um dos principais gêneros musicais do Brasil. São milhares de discos gravados e centenas de chorões que marcaram presença. O choro além de ser um gênero musical rico e complexo, é também um fenômeno artístico, histórico e social.
Em 4 de setembro de 2000, foi sancionada lei que criava o dia nacional do choro, a ser comemorado no dia 23 de abril, em homenagem ao nascimento de Pixinguinha. No Estado de São Paulo, existe o Dia Estadual do choro, comemorado no dia 28 de junho, dia em que nasceu Garoto, um dos principais expoentes paulistas do choro.
Link relacionado: • Casa do Choro – o ICC – Instituto Casa do Choro atua nas áreas de educação musical e preservação da História do Choro.
Um Espetáculo Inédito em Homenagem aos 450 anos de Fundação da Cidade do Rio de Janeiro
A cidade do Rio de Janeiro será homenageada no ano de 2015 com muita alegria pelos Flautistas da Pro Arte, que levarão aos palcos algumas das canções que eternizaram a Cidade Maravilhosa – canções que nos remetem às suas belezas e encantos e que já são parte de sua história.
Flautistas da Pro Arte em Festa na Aldeia
No espetáculo de nome “Festa na Aldeia de São Sebastião do Rio de Janeiro“, serão apresentadas obras de compositores renomados como Tom Jobim, Cartola, Chico Buarque, Noel Rosa e Pixinguinha, passeando ainda por obras menos conhecidas do grande público, como é o caso de “Povos do Brasil”, de Leandro Fregonesi – cuja letra foi inspiração para o título do show -, do “Baião de São Sebastião”, alegre homenagem de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira à cidade, e do belo choro “Casinha na Marambaia”, de Henrique Costa e Rubem Campos. Todas as canções do espetáculo foram arranjadas especialmente para a formação do grupo.
FESTA NA ALDEIA DE SÃO SEBASTIÃO DO RIO DE JANEIRO
foto: Andreia Nestrea
O grupo Flautistas da Pro Arte – formado por 25 integrantes – celebrará esta festa com crianças e adolescentes oriundas de várias “aldeias” da cidade do Rio Janeiro, no Galpão do Espaço Tom Jobim, no Jardim Botânico, nos dias 14 e 15 de novembro, às 16h30.
O projeto Flautistas da Pro Arte, que conta com o patrocínio da Petrobrás através da Lei de Incentivo à Cultura do Estado do Rio de Janeiro, centra sua atividade musical nos Seminários de Música Pro Arte, em Laranjeiras, onde seus integrantes tem aulas e realizam ensaios semanais.
Flautistas da Pro Arte em Festa na Aldeia: O SOPRO DA EDUCAÇÃO E DA RENOVAÇÃO
Em 1989, um grupo de crianças e jovens estudantes de música dos Seminários de Música Pro Arte, no Rio, se reuniu sob a batuta das professoras de flauta, Tina Pereira e Claudia Ernest Dias. Tina Pereira, nascida em SãoJosé dos Campos, fez especialização em Educação Musical em Salzburg, Áustria e queria aplicar o métodoaprendido no Instituto Orff. Começou então a usar as canções da MPB como material didático. Nasciam ali osFlautistas da Pro Arte, que fizeram sua primeira apresentação no Paço Imperial, homenageando Dorival Caymmi.
De tão envolvente, pioneiro e proveitoso, o trabalho consolidou-se rapidamente como prática artística e educativa e em poucos anos contava com um grande número de pequenos músicos desenvolvendo seus dotes pelos caminhos da extraordinária riqueza da Música Popular Brasileira.
Além da prática dos vários instrumentos de sopro, o grupo desde o princípio já aprendia também a cantar, dançar e se movimentar no palco. Os projetos se sucederam, homenageando compositores como Caymmi, Chico Buarque, Villa-Lobos, Radamés, João Bosco, K-Ximbinho, Lamartine, Ary Barroso, Noel Rosa e muitos outros.
Em 2004, o projeto tinha 70 integrantes e a diretora Tina Pereira resolveu dividir o grupo em dois, criando portanto os Flautistas da Pro Arte (herdeiro do nome do projeto), onde permaneceram os alunos mais novos, e a Orquestra de Sopros da Pro Arte, formado pelos integrantes mais velhos.
Tendo sempre à frente Tina Pereira, Claudia Ernest Dias e Raimundo Nicioli, o novo grupo teve sua estreia com o espetáculo “A Bênção, Baden!” na Sala Cecilia Meireles, palco nobre da música no Rio.
GUANDUO | com Juliano Camara e Eduardo Pinheiro (violões). Lançamento do CD Inventos.
Em 2015 o Guanduo foi vencedor do XV Prêmio BDMG Instrumental, um dos principais concursos de música instrumental do país.
Neste certame o duo ainda levou o prêmio de melhor arranjo, com a música Lamento Sertanejo.
Neste mesmo ano o Guanduo foi finalista do concurso Violão Sem Fronteiras, ficando entre os 6 grupos selecionados para se apresentar no Festival Assad, organizado pelos irmãos Assad.
O repertório do disco de estreia do Guanduo – que será apresentado na Casa do Choro – é muito diversificado e traz um pouco de todas as referências do duo.
Vale conferir o lançamento do CD, de Rogério Caetano e Eduardo Neves, na Casa do Choro.
Amantes do choro podem apreciar no Rio de Janeiro a Série Choro da Lua, sempre na Casa do Choro
O novo trabalho em Duo de Eduardo Neves & Rogério Caetano chamado Cosmopolita é o resultado de uma grande amizade e afinidade musical.
Com uma sonoridade contemporânea apontando para novos caminhos, fazem juntos uma música alegre, vibrante, camerística e despojada.
Juntos exploram de forma natural o campo fértil da música popular brasileira interpretando obras autorais e recriando clássicos de Pixinguinha, Copinha, Nelson Cavaquinho e Dominguinhos
ROGÉRIO CAETANO e EDUARDO NEVES | Lançamento do CD Cosmopolita. (RJ)
28 a 30 OUT | 19h
Preços: R$30 e R$15 (meia-entrada) | Classificação livre | Capacidade: 100 lugares
Mais informações: casadochoro.com.br
Duo Nascimento Vinci em apresentações 26 e 27 de outubro na Casa do Choro
Sempre bom apreciar a boa música instrumental, ainda mais quando ela e feita por compositores jovens, talentosos e cheios de história!
Bruno Vinci, é de Pouso Alegre/MG e morador na cidade de São Paulo. É violonista 7 cordas. Além dos clássicos chorões, já acompanhou quase toda a trupe do clube do Milton: Toninho Horta, os irmãos Lô e Márcio Borges e Fernando Brant.
Rafael Nascimento, de São Paulo/SP. É violonista 6 cordas. E também já tocou com muita gente jovem e da antiga, de Yamandú Costa ao mestre, Izaías do Bandolim.
Ambos são discípulos de Luizinho 7 Cordas e Alessandro Penezzi, nomes de referência no violão brasileiro. Com trabalho autoral voltado para a música instrumental brasileira, o duo está preparando seu primeiro CD “Preto no Branco” onde exploram a sonoridade da formação com muita criatividade nas composições, interpretação e execução.
26 e 27 OUT | 12h30 com Bruno Vinci e Rafael Nascimento (violões).